(Por Romildo Raposo)
Sem negar a legitimidade
de qualquer agrupamento apresentar-se como oposição numa eleição sindical,
gostaria de responder, em caráter pessoal, algumas afirmações inconsequentes
dachapa 2: O Novo Sempre Vem.
Antes de tudo e de forma
breve, vou tentar explicitar a concepção de sindicato que compartilho.
Os sindicatos foram
construídos para defender os interesses imediatos e históricos dos
trabalhadores, e lutar contra a exploração patronal e do Estado capitalista.
Diferente de partidos políticos que exige fidelidade ao programa, nos
sindicatos a única exigência para ser associado/sindicalizado é fazer parte da
categoria que ele representa e respeitar os estatutos da entidade.
Por esta razão, é enorme
a multiplicidade de ideias e interesses que permeiam na base de uma categoria e
no sindicato. Por isso, é equivocada e desastrosa para os trabalhadores e
sindicatos a não adoção do critério democrático da proporcionalidade, pois
provoca a exclusão das minorias representativas da direção da entidade.
Acredito que, tendencialmente, toda concepção monolítica quando posta em
prática gera burocratismo na direção.
Por outro lado, é parte
da tradição do movimento sindical quando é constituída uma chapa oposição que
se postula, seriamente, como alternativa de direção para o sindicato, a sua
primeira tarefa ético-política é explicar à categoria as diferençasqualitativas
que motivaram e/ou impediram a unidade, aqui, especificamente na ADUFPB.
Sem nenhuma intenção de
desrespeito ao movimento estudantil e às suas entidades, um sindicato tem sob a
sua responsabilidade o destino da vida profissional de milhares de pessoas e de
suas famílias. Por isso, a categoria requer e exige da direção sindical muito
cuidado na condução e no processo de lutas por suas reivindicações, pois se a
direção errar, quem sentirá na “pele” é o conjunto dos professores (as) e seus
dependentes.
Assim, para fundar uma
oposição que se propõe dirigir o sindicato e a categoria, é necessário provar
que fatos muito graves tenham ocorrido, a ponto de provocar uma ruptura e uma
divisão entre os docentes.
Neste sentido, ao não
explicar as razões que provocaram a ruptura entre dirigentes e correntes
sindicais docentes, a chapa 2, repete as velhas táticas da omissão e da
distorção dos fatos para obter votos, ou seja, não apresenta nada novo.
A primeira e gritante
omissão é não revelar que todos dirigentes da Chapa 1 –“Unidade e Luta: 10% do
PIB para a Educação”, despenderam enormes esforços no sentido de unificar todas
as forças representativas e organizadas do movimento docente da UFPB,
apoiando-se no critério democrático da proporcionalidade e sem veto aos nomes
indicados, para participar da direção daentidade, inclusive para ocupar a
Tesouraria e outro cargo que lhe conviesse.
O objetivo foi e é
garantir a unidade e o fortalecimento da categoria, paraconquistarmos nossas
reivindicações e, ao mesmo tempo, assegurar que todas concepção representativas
do pensamento docenteestivessem representadas na Diretoria da ADUFPB.
No entanto, os membros da
pseudo oposição não aceitaram o critério de proporcionalidadereforçando,
assim, a ideia do pensamento único, teoria burocrática e nefasta, porqueexclui
a possibilidade das minorias de participar e seresponsabilizar pelacondução
política e gestão do sindicato, ao mesmo tempo, ignoram a riqueza e o respeito
às diversidades de ideias, além de afastar aqueles que pensam diferente.
Ao adotar a omissão dos
fatos, como práxis política, a oposição se vê obrigada a distorcer a realidade,
apresentando-se como algo novo e tachando a chapa 1 como
situação/continuidade, quando na verdade a maioria do Comando Geral de
Greve e de novos docentes, não pertencentes a corrente sindical “Aduf Para
Todos”, apresentaram e todos concordaram com o critério de proporcionalidade e
de unidade, para composição da Diretoria da ADUFPB.Agindo dessa forma, a Chapa
2 apenas desvela o seu real objetivo político/sindical. Para esta chapa,é
mais importante ganhar o aparato sindical, do que unir e fortalecer a categoria
docente, para novas conquistas!
Para exemplificar
gostaria de citar alguns candidatos da Chapa 1: Unidade e Lutaque não são
membros da corrente sindical “Aduf Para Todos”: Marcelo Sitcovsky
(Tesoureiro); Fernando Cunha (Política Educacional); Vladimir (Suplente
Secretaria Geral); Carlos Cartaxo (Cultura), Romildo Raposo (Vice-Presidente) e
Baltazar Macaíba (Suplente Litoral Norte).
Além dos membros da
Diretoria Executiva, vale a pena observar que muitos candidatos ao Conselho de
Representantes, a exemplo de Alexandre Nader (ex-presidente da ADUFPB) e membro
ativo do Comando Geral de Greve, pelo qual os docentes têm muito respeito e
admiração por sua história de luta, também, não são membros do “Aduf para
Todos”.
Portanto, a Chapa 1
–“Unidade e Luta: 10% do PIB para a Educação” é coerente com uma concepção
democrática de sindicato e foi formada a partir de um amplo debate entre
lideranças sérias e compromissadas do movimento docente, resultando numa composição
politicamente consistente, principalmente por saber conviver, sem
sectarismos nem discriminações, com as diferenças e adotar o pluralismo.
Ao tentar desqualificar a
Chapa 1 por buscarmos a unidade da categoria e uma composição democrática e
proporcional, a oposição esconde, por exemplo, que um de seus candidatos –
Pablo Andrada do Litoral Norte - é, também, membro da atual Diretoria “Aduf
Para Todos”. Não explicitam publicamente por que ele está a dois anos na atual
diretoria sem renunciar ao mandato ou justificar a permanência?
Outra omissão/distorção
nos discursos da Chapa 2 é não dizer quais são as reais diferenças
programáticas qualitativasentre as chapas, que justificasse a formação de uma
oposição?
Basta recordarmos que
todos estivemos juntos, até o final, de uma das maiores greves docentes dos
últimos 10 anos. Lembro-lhes, que são nos momentos cruciais da luta que os
dirigentes provam e mostram seus reais compromissos. Algum membro da Chapa 1
foi omisso ou contrário às lutas da categoria? Não! Todos estiveram juntos!
Por último, mas não menos
importante, a Chapa 2 resvala perigosamente para o esquerdismo e sectarismo, ao
reduzir as dificuldades de mobilização de uma categoria, contra o governo e os
patrões por suas reivindicações, apenas à diretoria de um sindicato.
Não compreende que,
apesar da enorme importância de uma direção sindical, o resultado de qualquer
luta depende, fundamentalmente, da situação e da correlação de forças relativas
às classes e ao país, correlacionando-a com a situação da luta de classes
mundial.
Transparece nos textos e
falas que é suficiente termos uma boa diretoria, distribuir panfletos e
convocar docentes, para termos assembleias massivas e vitórias. Este discurso,
ignora outros atores e fatores que atuam na consciência e na disposição da
categoria.
O que a Chapa 2 apresenta
é uma concepção infantil de super-heróis e semideuses de revistas em quadrinhos
e filmes, que são capazes de mudar o mundo a seu bel-prazer. É o velho tema de
que uma minoria “iluminada” conduzirá as “massas ao paraíso”.
Não compreendem os
limites e obstáculos que todos nós, docentes, enfrentamos no cotidiano.
Lamentavelmente, não conseguem ver, além do branco e do preto, não percebendoa
multiplicidade de cores no mundo.
Assim, tal como as cores,
entre nós, docentes, existe uma diversidade de ideias, concepções e práticas
sociais. Portanto, compete à Direção da ADUFPB, conhecer a realidade, formular
propostas e discutir leal e democraticamente comtodos
professores (as), e respeitar a decisão soberana da maioria. Uma diretoria
democrática não pode e nem deve substituir a categoria, mas é seu dever
elaborar, apresentar e defender suas propostas para os docentes abraçá-las ou
rejeitá-las!
Não poderia encerrar este
texto sem antes convidar todos (as) docentes ativos e aposentadosà colaborar,
divulgar e votar na Chapa 1 – “Unidade e Luta: 10% do PIB para a Educação”, nas
eleições de 24 de julho.
E, desde já, chamar os
membros da Chapa 2 à reflexão e que, após as eleições, estejamos unidos,
novamente, na luta em defesa da educação, da categoria e do fortalecimento da
ADUFPB, e que nossas divergências conjunturais possam vir a ser superadas pela
práxis.
Saudações,
Romildo Raposo
(Departamento de
Fundamentação da Educação – Centro de Educação)